Queria ser diferente, absorver de outra forma; mas não há como. Mais de 200 pessoas foram se divertir e nunca mais voltaram. Vidas se foram.
Não, não há como ser indiferente. É entristecedor ver isso. A vida do ser humano, algo que dizem que nem mesmo existe dinheiro que a compre, valendo o preço de uma isolação acústica.
Não foi a segurança, nem a comanda, nem mesmo o fumaça etc. Foram fatores sequenciais que desembocaram nesta consequência. Foram infelizes os que partiram.
Mas sabe o que me deixa mais entristecido? É que com o passar dos dias, dos anos, não nos lembraremos mais de nenhuma dessas pessoas... se é que sabemos quem são hoje. Pessoas ilustres, futuros promissores; pessoas únicas; sorrisos únicos, formas de ver a vida de forma única. Nada irá continuar. Suas vidas tiveram um ponto final antes mesmo de começarem a escrevê-la o desenrolar da história. Quem sabe o que seriam? Poderiam ate quem sabe serem nossos amigos mais íntimos; nossas almas gêmeas... Quem sabe? Quem poderia saber do contrário? Mas agora, jamais saberemos. Talvez nossa ganância humana pare de suprimir nosso espírito. Seus familiares saberão,e somente eles se lembrarão para sempre.
Um dia alguém lhes perguntará: "- Quem é este ou esta da foto? E a resposta será: este era meu filho; minha filha; meu marido, minha namorada na época... se foi em um incêndio que houve em uma boate de Santa Maria... Até hoje tento acreditar que era um pesadelo...
Mas seus nomes serão levados pelo vento do tempo, suas imagens serão sucumbidas... a vida é assim; amarga. Um dia todos nós seremos esquecidos, não importa quem sejamos, ou o que fizemos, mal lembrarão que existimos.
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