Deus, quisera eu, o ser
A criatura que devesse ser
Sob a luz que devesse me ater
Sobre a verdade de um mesmo ser
Quisera eu, ó Deus, ser verdadeiramente eu
Sem quaisquer temor às inverdades
Nem às fraquezas que por hora surgem das saudades
Somente eu
Quisera eu molhar meu semblante; verdadeiramente chorar
Quisera eu ao vento sorrir
Quisera eu verdadeiramente o tempo parar
Sem jamais tornar o mundo a ruir
Dos prantos, em cantos
Aos berços, com terços.
Rezo, para que, quem sabe um dia, a cegueira humana tenha fim
Rezo para que ela também, que em parte me apega, deixe a mim
Quisera eu, ó Deus, estar sempre assim
Porque mesmo remoto de tanta angústia, solidão e tristeza; ainda longe do fim.